Produtora de filme sobre Bolsonaro funcionava em casa de sócio em subúrbio dos Estados Unidos
- Por msn

A sede da Go Up Entertainment LLC, produtora de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), funcionava até o dia 2 de junho em uma casa de dois andares nos subúrbios da cidade de Raleigh, capital da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, no mesmo local onde mora um dos seus sócios, o produtor Michael Brian Davis.
A reportagem da BBC News Brasil esteve no local no dia 29 de maio e foi recebida por Davis, que não quis dar entrevista. Cinco dias depois, em 3 de junho, seus sócios mudaram o endereço da produtora para um prédio comercial na mesma cidade.
Produtores de cinema ouvidos pela reportagem em caráter reservado afirmaram que não é comum que produtoras envolvidas em projetos com orçamentos milionários, como é o caso de Dark Horse, funcionem em imóveis residenciais. Segundo seus próprios produtores, o filme consumiu até o mês retrasado ao menos US$ 13,3 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 75 milhões.
O financiamento do longa-metragem passou a ser alvo de investigações da Polícia Federal depois que o site The Intercept Brasil revelou que o banqueiro Daniel Vorcaro, preso por suspeita de crimes contra o sistema financeiro nacional, repassou ao menos US$ 12 milhões para a produção.
O site também revelou áudios e mensagens em que Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador e pré-candidato à Presidência da República, pedia US$ 24 milhões a Vorcaro.
Em sua defesa, Flávio negou ter praticado qualquer irregularidade e disse que a relação com dono do Banco Master era meramente comercial. Segundo o parlamentar, ele estaria apenas cobrando parcelas atrasadas de um pagamento prometido pelo banqueiro ao filme.
O caso chamou também chamou atenção porque, segundo o The Intercept Brasil e membros da família Bolsonaro, o dinheiro foi repassado da empresa Entre Investimentos e Participações para o fundo de investimentos Havengate Development Fund LP, sediado nos Estados Unidos e ligado a um advogado que atua para o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
O site The Intercept Brasil revelou também que Eduardo assinou um contrato como produtor do filme, no qual teria responsabilidades sobre a gestão financeira do projeto.
As suspeitas fizeram com que a Polícia Federal passasse a investigar a possibilidade de que os repasses de Vorcaro possam ter tido o objetivo de financiar a permanência de Eduardo nos Estados Unidos.
Após negar essa ligação, Eduardo gravou um vídeo admitindo ter assinado o contrato e investido R$ 350 mil no filme, mas acrescentou que teria recebido o dinheiro de volta após a obra ter obtido outros patrocinadores.
"Quem fala que Eduardo Bolsonaro recebeu dinheiro de Vorcaro é mentiroso. Quem fala que Eduardo Bolsonaro recebeu dinheiro desse fundo que foi criado nos EUA está mentindo", disse, em vídeo publicado em suas redes sociais.
A BBC News Brasil enviou perguntas para Flávio, Eduardo, Karina Ferreira Gama e Michael Brian Davis — os donos da produtora Go Up — e para o deputado federal Mário Frias (PL-SP), produtor e roteirista do filme.
Em nota, Davis disse que, nos Estados Unidos, "é comum que empresas produtoras, holdings criativas, desenvolvedoras de projetos e produtoras independentes tenham estruturas administrativas enxutas" e que "o tamanho físico de uma sede administrativa não reflete, necessariamente, a dimensão de uma produção cinematográfica".
A nota não mencionou a mudança de endereço após o início das investigações e da visita da reportagem da BBC News Brasil ao local.
A nota diz ainda que a empresa administrou o orçamento da produção "integralmente", mas que não teve contato com Vorcaro ou empresas ligadas a ele e que não sabia a origem dos recursos.
Em nota, a defesa de Flávio disse que "o patrocínio ao filme Dark Horse ocorreu dentro de uma relação privada entre particulares, sem utilização de recursos públicos" e que "a participação do senador foi limitada a essa tentativa de captação de recursos para viabilidade da produção cinematográfica".

Mudança repentina de endereço
O endereço registrado como "local de negócios" da Go UP Entertainment LLC até junho era uma residência típica de subúrbio norte-americano: uma casa branca de dois andares, com garagem para dois automóveis e uma área de gramado cercada por pinheiros.
Na manhã do dia 29 de maio, a reportagem da BBC News Brasil foi recebida por Davis na antessala da residência. No local, foi possível identificar ao menos duas estações de edição de vídeo, em meio a móveis, livros, objetos pessoais e dois cachorros.
Na frente da casa, havia uma picape cuja placa tinha o nome de outra empresa de produção audiovisual da qual Davis é sócio, com sede no mesmo endereço.
Exceto pela picape, não havia outra indicação, letreiro ou cartaz indicando que, naquele local, funciona uma produtora de vídeo. Davis, além de negar dar entrevista, pediu que nada fosse filmado durante o encontro com a reportagem.
Posteriormente, a BBC News Brasil enviou perguntas por escrito para o produtor. Em nota, Davis respondeu à maioria delas.
Documentos obtidos pela reportagem mostram que a história da Go Up Entertainment LLC começou em 2021, ano em que a empresa foi criada e registrada, em Miami, na Flórida.
Os documentos, àquela época, já apontavam que a Go Up tinha ambos Davis e Karina como sócios. Em nota, Davis disse, sem especificar nenhum projeto, que "o relacionamento com Karina é desde 2014 e surgiu no contexto de projetos culturais e audiovisuais, a partir de agendas profissionais ligadas ao desenvolvimento de iniciativas com times internacionais".
Ainda em 2021, no Brasil, Davis se tornou sócio do marido de Karina, Wemerson Marinho, em uma empresa de proteção de propriedade intelectual com sede em São Paulo, segundo documentos obtidos pela reportagem na Junta Comercial do Estado.
Também em 2021, Karina abriu na capital paulista uma produtora audiovisual com o mesmo nome, Go Up Entertainment, da qual ela é a única sócia. Na ocasião, era desconhecida do grande público brasileiro e começava sua atuação como empresária ligada a políticos de direita no Brasil.
Davis, por sua vez, seguia sua atuação como produtor de cinema especializado em filmes ligados ao universo cristão, como Três Histórias, Um Destino, inspirado no livro de mesmo título escrito pelo pastor brasileiro R. R. Soares.
Em 2022, o endereço da Go Up foi alterado para a casa onde Davis vive desde, ao menos, 2020. É o mesmo local onde funciona a outra empresa em nome do produtor, a Uptone Pictures Inc.
O endereço da Go Up permaneceu o mesmo de 2022 até o dia 3 de junho de 2026, cinco dias depois de a reportagem da BBC News Brasil contactar e ser recebida por Davis no local e em meio ao crescimento das suspeitas sobre o financiamento de Dark Horse.
Naquele 3 de junho, segundo documentos da Divisão de Corporações da Flórida, o endereço da produtora foi alterado para um prédio comercial a três quilômetros da casa da Davis. A reportagem o questionou sobre o motivo da mudança, mas não obteve resposta.

Em conversas com fontes ligadas ao setor e a partir das redes sociais de Davis, a BBC News Brasil apurou que o produtor tem nacionalidade brasileira e viveu no Brasil durante parte dos anos 1980, após seu pai ser transferido a trabalho.
Foi nessa época que ele aprendeu português e se apaixonou por futebol, em especial pelo clube São Paulo. Em suas redes, é possível ver diversas postagens sobre sua proximidade com ex-jogadores do clube, entre eles o ex-jogador da seleção brasileira Silas, de quem é amigo.
Ainda nos anos 1980, ele se mudou para os Estados Unidos para fazer faculdade e fixou residência no país. Nos anos seguintes, deu início à carreira de produtor, realizando filmes e comerciais.
Além do filme inspirado no livro de R. R. Soares, Davis participou da produção de filmes como Little Angels e A Promessa de Paulo, ambos com o ator Dean Cain, que ficou famoso por interpretar Super-Homem em uma série de TV exibida nos anos 1990.
A BBC News Brasil apurou que Davis foi um dos principais responsáveis pelo contato entre Mário Frias e o diretor de Dark Horse, Mark Nowrasteh. Ele também teria sido um dos responsáveis por atrair o ator Jim Caviezel, que interpretou Jair Bolsonaro, para o elenco do filme.
Já Karina viu seus negócios se expandirem nos últimos cinco anos. Além da Go Up, ela é sócia de outras empresas e presidente das organizações não governamentais Instituto Conhecer Brasil (ICB) e Academia Nacional de Cultura (ANC), que receberam emendas parlamentares para executar projetos culturais e que também firmaram contratos no valor de R$ 108 milhões para o fornecimento de internet sem fio na cidade de São Paulo, serviço que está sob investigação pelas autoridades paulistas.
Sede em local incomum
A produção de um filme não exige que todos os envolvidos trabalhem no mesmo lugar.
Não é raro que uma mesma cena passe pelas mãos de profissionais e empresas espalhados por diferentes cidades, às vezes até por países distintos, motivo pelo qual o endereço de uma produtora nem sempre corresponde à imagem que muitos associam à indústria cinematográfica.
Isso não significa, porém, que qualquer arranjo seja considerado usual.
Produtores e diretores de cinema ouvidos pela BBC News Brasil sob anonimato afirmam que uma produtora funcionando a partir da garagem de uma residência, como a reportagem observou no antigo endereço da Go Up nos Estados Unidos, destoa do que se vê em projetos com orçamentos como os de Dark Horse.
Embora o orçamento da produção permaneça incerto, já que Flávio Bolsonaro teria pedido US$ 24 milhões a Daniel Vorcaro e o banqueiro, que está preso, não se pronunciou sobre o assunto nem confirmou se fez a doação, Karina Ferreira da Gama, principal nome por trás da Go Up, afirmou à emissora de televisão GloboNews que o projeto já consumiu US$ 12 milhões.
Para fins de comparação, mesmo essa cifra — equivalente à metade do valor que Flávio teria solicitado a Vorcaro — supera não apenas o orçamento de sucessos brasileiros recentes como Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto, que chegaram ao Oscar, mas também o de produções internacionais que conquistaram a premiação, como Valor Sentimental, produzido com US$ 7,8 milhões.
Segundo os especialistas ouvidos pela reportagem, uma estrutura semelhante à da Go Up seria mais facilmente associada a produtoras de pequeno porte dedicadas a curtas-metragens de baixo orçamento — que, nos Estados Unidos, costumam movimentar cifras muito inferiores às atribuídas a Dark Horse, abaixo de US$ 1 milhão — ou a empresas que produzem vídeos publicitários para pequenas marcas.

Há setores da indústria do entretenimento em que estruturas informais são mais comuns. Na música, por exemplo, artistas que movimentam milhões de reais em cachês se reúnem em casas e chácaras para compor. Não por acaso, a ideia da "banda de garagem" se tornou um dos clichês mais conhecidos da cultura pop.
É assim que funcionam os polos de composição nos arredores de Goiânia, que abastecem o repertório de estrelas do sertanejo como Gusttavo Lima. Algo semelhante ocorre no funk paulista, onde produtoras como Love Funk, NVI e SpaceFunk operam em imóveis adaptados na periferia de São Paulo.
Mas no cinema, dizem os entrevistados, a lógica costuma ser outra. Enquanto uma canção pode nascer de um encontro entre poucos compositores munidos apenas de um violão, de papel e caneta, um longa-metragem envolve centenas de profissionais. É essa diferença que faz com que a estrutura observada pela reportagem provoque estranhamento.
Outro fator que contribui para essa percepção é o histórico da própria empresa. Nem a Go Up nem sua representante brasileira parecem ter trajetória conhecida em produções audiovisuais. O nome de Karina Ferreira da Gama, por exemplo, não aparece associado a filmes ou séries no IMDb, principal banco de dados usado pela indústria para registrar créditos de produções.
Esse histórico contrasta com a forma como os envolvidos têm apresentado o projeto. O deputado Mário Frias, que também é roteirista do filme, já afirmou que Dark Horse segue os moldes das produções de Hollywood, com elenco majoritariamente americano e gravações realizadas nos Estados Unidos.
Davis rebate o argumento de que o funcionamento de sua produtora na casa em Raleigh seja incomum.
"Essa percepção não corresponde à realidade operacional do setor audiovisual. Grandes produções são realizadas por meio de redes de contratação, equipes temporárias, fornecedores especializados, locações, sets, produtoras associadas, prestadores internacionais e estruturas montadas especificamente para cada etapa. A sede administrativa de uma empresa não representa sozinha a estrutura total mobilizada para um filme", disse, por meio de nota.
Financiamento sob investigação
O financiamento do filme Dark Horse deve ser alvo de pelo menos três frentes de investigação, segundo o site G1.
A PF avalia abrir inquéritos para apurar suspeitas envolvendo a origem, a destinação e o possível uso de recursos públicos e privados ligados à produção do longa.
A primeira frente deve tratar dos repasses de R$ 61 milhões atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro feitos a pedido de Flávio Bolsonaro. A PF pretende confirmar a quantia e esclarecer o caminho do dinheiro até o fundo responsável pelo financiamento do filme nos Estados Unidos.
A investigação também deverá apurar se os repasses foram feitos em troca de algum favor prestado por Flávio ou por integrantes de seu grupo político, suspeita rebatida pelo senador.
Essa apuração ficará sob relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também conduz outros inquéritos relacionados ao caso Master.
A segunda frente de investigações envolve a suspeita de que parte dos recursos enviados ao projeto possa ter sido usada para bancar a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Essa hipótese chegou a dar início a uma dúvida sobre quem seria o relator dessa investigação. Havia um pedido para que ela ficasse sob a relatoria de Alexandre de Moraes, que é relator de uma ação penal relacionada à autuação de Eduardo no exterior. Mas na última quinta-feira (25/6) o presidente do STF, Edson Fachin, decidiu que a relatoria ficará com Mendonça.
A terceira frente mira a indicação de emendas parlamentares para entidades ligadas à produtora do filme, a Go Up, comandada pela empresária Karina da Gama.
A suspeita é de que parlamentares do PL repassaram recursos públicos a entidades vinculadas à produtora, como a Academia Nacional de Cultura, para financiar indiretamente o longa.
Essa frente de investigações ficará sob relatoria do ministro Flávio Dino, que já conduz inquéritos relacionados à destinação de emendas parlamentares.
Karina não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre essa suspeita.
Brasil disputa mercado espacial e prevê lançamento de foguete ainda este ano
Setor de satélites, foguetes e bases de apoio movimentou US$ 220 bi em 2025
Por Jovem Pan

O Brasil está tentando abocanhar uma fatia do mercado espacial, que movimenta bilhões ao redor do mundo e tende a crescer mais nos próximos anos, puxado por SpaceX, Blue Origins e dezenas de outras empresas menores, mas relevantes. Neste momento, há cerca de 20 contratos em negociação entre o governo federal e multinacionais para “alugar” o Centro Espacial de Alcântara, no Maranhão. A expectativa é que ao menos um lançamento ocorra ainda neste ano, servindo de chamariz para outros contratantes.
A sul-coreana Innospace obteve, no dia 22 de junho, autorização da Agência Espacial Brasileira (AEB) para realizar um lançamento. A multinacional desenvolve veículos lançadores de pequenos satélites que atendem setores como telecomunicações, meteorologia e defesa. A SpaceX, de Elon Musk, já avisou que busca centros espaciais ao redor do mundo para expandir suas atividades – e o Brasil tem condições de entrar no páreo, dizem especialistas.
“Estamos interagindo com empresas com interesse em lançar seus veículos no Brasil. São aproximadamente 20 empresas, da América, Europa, Ásia e Oceania, sendo algumas em estado mais avançado de negociação”, conta o diretor de projetos e negócios da Empresa de Projetos Aeroespaciais (Alada), Paulo Ricardo da Silva Mendes.
A Alada é a estatal criada em 2024 pelo governo Lula com o objetivo de prospectar clientes para uso da infraestrutura e dos serviços de lançamentos de Alcântara, bem como intermediar a interação desses clientes com os órgãos públicos locais que emitem as autorizações. O faturamento dos contratos será convertido em investimentos na própria infraestrutura local. A base vinha sendo pouco utilizada. Agora, pode transformar-se em um trunfo, pois faltam centros espaciais disponíveis no planeta.
Nessa preparação, o Brasil firmou um acordo de salvaguardas tecnológicas com os Estados Unidos em 2019, no governo Bolsonaro. O acordo protege a tecnologia norte-americana, o que é considerado um passo essencial para viabilizar os lançamentos, uma vez que cerca de 80% da tecnologia empregada nos veículos vem de lá.
O mercado aeroespacial cresceu rapidamente. Criou-se aí uma janela que o Brasil não pode perder. O que buscamos é explorar a capacidade de lançamento, a valor justo de mercado, e colocar o país dentro desse mercado mundial.
Paulo Ricardo da Silva Mendes, diretor de projetos e negócios da Alada.
Mercado trilionário
O setor de satélites, foguetes e bases de apoio movimentou US$ 220 bilhões no mundo em 2025, com tendência de chegar a US$ 315 bilhões (cerca de R$ 1,6 trilhão) até 2034, segundo a consultoria Global Market Statistics. A quantidade de satélites ativos em órbita deve saltar de 11,7 mil, em 2025, para 30 mil, em 2030, chegando a 60 mil, em 2040, segundo relatório produzido pela Força Espacial dos EUA (o braço militar criado no primeiro mandato de Donald Trump).
Alcântara, por sua vez, tem potencial para atender cerca de 90% dos lançamentos, estima o coronel Adalberto de Rezende Rocha Júnior, diretor do centro espacial. “Alcântara está se transformando para absorver uma parte dessa demanda e ser um agente global”, diz.
A infraestrutura dali é capaz de atender foguetes de pequeno e médio portes, com capacidade de levar para órbita entre 20 a 50 toneladas de carga, o que representa a maior parte dos lançamentos. A título de comparação, é uma faixa compatível com o Falcon, da SpaceX, que carrega até 23 toneladas, mas abaixo do ‘supercargueiro’ Falcon Heavy, de até 64 toneladas. “Nossa infraestrutura já está totalmente adequada para o mercado. E se mais empresas vierem no futuro, aí precisaremos de investimentos”, complementa Rocha Júnior.
Vantagens
O grande diferencial de Alcântara é a sua localização próxima à Linha do Equador, considerada o ‘filé mignon’ da órbita, onde ficam a maioria dos satélites geoestacionários (que ficam ‘parados’ em relação à Terra, monitorando pontos específicos). Nessa latitude, o gasto de combustível para impulsionar o foguete é cerca de 30% menor do que em outras partes do globo.
Outra vantagem é que o tráfego no Maranhão é baixo, sem necessidade de grandes mudanças no fluxo de aviões. A região tem poucos moradores e não tem histórico de desastres climáticos. Por fim, sua principal concorrente, Kourou, centro espacial da Guiana Francesa, já está praticamente lotada de lançamentos europeus, com pouca margem para crescer.
Dentro deste cenário favorável, o Brasil deve atingir a cadência de um lançamento por mês no curto a médio prazo, estima o coordenador de Licenciamento da AEB, Danilo Sakay. “Já será um bom começo e com capacidade de expandir mais para frente”. Segundo ele, a criação da Alada foi um passo importante para o Brasil entrar nesse mercado. “Existe uma logística por trás. Antes, eram só lançamentos brasileiros, então o próprio governo se arranjava. Agora vão envolver empresas estrangeiras, o que requer organização”.
A sul-coreana Innospace fará em breve o seu segundo lançamento no Maranhão. O primeiro ocorreu em dezembro de 2025, mas o veículo explodiu após 33 segundos no céu devido a um vazamento de gases de combustão. A causa do acidente foi do projeto do foguete, não na base, diz o diretor da Alada. “É como um avião. Se decolou e caiu, não é culpa da infraestrutura do aeroporto.”
Virada
O Centro Espacial de Alcântara foi inaugurado em 1983 para ser o ponto de lançamento de um foguete brasileiro, mas isso não teve o sucesso esperado. Houve três tentativas. A última ocorreu em 2003, a maior tragédia do programa espacial brasileiro, quando a explosão do veículo matou 21 profissionais do setor.
“Junto com eles se foi também todo nosso conhecimento sobre foguetes. Eles eram nossa referência, nossos heróis. Aí ficamos parados no tempo”, observa o diretor do espacial. “Nessa época, a Índia estava no mesmo patamar que nós. Hoje, ela pousa no lado oculto da Lua e nós não“, diz, referindo-se à missão indiana não tripulada que chegou ao polo sul lunar em 2023.
Nos anos seguintes, Alcântara foi reformada e passou a atender voos suborbitais – que não são capazes de lançar satélites em órbita, mas servem para experimentos científicos em ambientes de baixa gravidade. Já o projeto de um foguete próprio sofreu cortes de orçamento e dificuldades no desenvolvimento da tecnologia necessária.
Com o centro espacial pouco utilizado e o mercado crescendo, veio a virada na estratégia, com a busca de clientes corporativos. “Ainda queremos lançar nosso foguete, mas vislumbramos esse lado comercial, pois o mercado está superaquecido“, aponta Rocha Junior.
Simony revela quanto gastou com tratamento do câncer e bens que precisou vender
- Por Msn

Simony revelou detalhes emocionantes sobre a luta contra o câncer de intestino e contou que precisou vender bens para conseguir custear o tratamento. A cantora, que descobriu a doença em 2022 e atualmente está em remissão, revelou que gastou mais de 500 mil reais durante o processo de recuperação. A a artista revelou os detalhes ao Bora Brasil MS, filiada da Band.
Em entrevista, Simony explicou que estava sem plano de saúde quando recebeu o diagnóstico e precisou arcar com grande parte das despesas médicas. Segundo a artista, o tratamento teve custos elevados e, para conseguir manter os cuidados, decidiu vender parte do seu patrimônio. Simony contou que chegou a vender um terreno para conseguir pagar as despesas e afirmou que não se arrepende da decisão.
É muito caro se tratar de um câncer. O meu médico não cobrou os honorários dele, ele quis me ajudar. O hospital cobrou 50% e eu gastei R$ 500 mil [...] Eu venderia dois, três, quatro, porque trabalhei para conquistar tudo isso. Se fosse preciso, a gente venderia. As coisas materiais deixam de ter importância. O importante é eu estar viva.
Ela ainda afirmou que, caso todos os valores fossem cobrados integralmente, a quantia poderia ultrapassar um milhão de reais.
A cantora também explicou que segue realizando acompanhamento médico e que passou a ter plano de saúde após o período mais difícil do tratamento. Simony reforçou que a experiência mudou sua forma de enxergar a vida e destacou a importância de aproveitar cada momento:
Punido pelos EUA por ligação com PCC lavou R$ 10 bi do tráfico de haxixe em 73 empresas
Estadão Conteúdo
Por Jovem Pan

Líder de um esquema de lavagem de R$ 10 bilhões do Primeiro Comando da Capital (PCC), coordenador logístico e responsável pelo controle financeiro da trama, Victor Henrique de Oliveira Shimada, o primeiro brasileiro sancionado pelos Estados Unidos por vínculo com a facção, estruturou um vasto arcabouço com 73 empresas de fachada para ocultar e movimentar cifras bilionárias do tráfico de drogas, especialmente de haxixe, segundo a Polícia Federal.
Shimada é o principal alvo da Operação Exchange, que foi às ruas nesta sexta-feira (3), para prender 11 suspeitos e cumprir 13 mandados de busca e apreensão contra um núcleo financeiro do PCC
A reportagem busca contato com a defesa de Shimada. O espaço está aberto para manifestação.
Na quarta-feira (1º), o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou sanções contra Shimada, sua secretária, Stella Stefanie Nunes, três empresas sediadas no Brasil e uma companhia em Portugal, por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. Segundo o governo americano, o grupo movimentou mais de US$ 30 milhões provenientes do tráfico internacional de drogas.
O Estadão apurou que a Polícia Federal estava no encalço dos suspeitos havia semanas. A PF já havia representado à Justiça pela decretação da prisão de Shimada e dos outros investigados antes da sanção americana aos supostos aliados do PCC. Todos os alvos estavam sob monitoramento. Os investigadores avaliam que a divulgação dos EUA sobre a sanção prejudicou o trabalho de campo e precipitou a operação.
As 73 empresas utilizadas por Shimada foram bloqueadas por decisão do juiz Paulo Cezar Duran, da 7ª Vara Federal Criminal em São Paulo. A medida também determinou o bloqueio e sequestro de bens, direitos e valores até o limite de R$ 10.386.527 419,19, de forma solidária, envolvendo os investigados e as pessoas jurídicas citadas na investigação.
Empresas
Durante as apurações, a PF constatou que Victor Shimada utilizava as empresas Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda. e Hi Quality Importação Comércio e Distribuição Ltda. para movimentar, ocultar e dissimular recursos do PCC.
A investigação da Polícia Federal reúne análises de relatórios de inteligência financeira e laudos periciais contábeis que apontam movimentações incompatíveis com a capacidade econômica declarada de Shimada.
Segundo os investigadores, a empresa Hi Quality, que não possui empregados registrados, foi citada em centenas de comunicações que somam R$ 29,3 bilhões. Já Victor Shimada aparece em dezenas de registros envolvendo valores expressivos.
Os documentos também indicam o uso de estruturas financeiras para dissimular a origem dos recursos, incluindo uma planilha de controle atribuída a um usuário identificado como Harry Thompson, também referido como Bryan Willians, apontado como vulgo de Shimada, em grupo de WhatsApp, com registros de operações descritas sob o campo “TOKEN”, reunindo dados sobre valores, câmbio, cidades e saldos, além de movimentações estimadas em US$ 7,5 milhões em cidades dos Estados Unidos, como Houston, Chicago, Denver, Atlanta, Cleveland, Nashville, Memphis e Los Angeles.
Os operadores do esquema também tinham forte atuação no ramo de criptomoedas. A diversificação dos recursos por meio de criptoativos é evidenciada, segundo a PF, em conversa na qual Ygor Fokin, apontado como um dos líderes do esquema de lavagem e tráfico de drogas ao lado de Shimada, discute com ele a utilização do token “ERC” e diferentes formas de alocação de valores.
No diálogo, são usadas referências cifradas como “branca”, “verde” e “azul” para indicar modalidades de investimento, além de expressões que indicam preocupação com rastreamento, como na mensagem: “Por isso bom sempre passar a gnt vai trocando moeda papel wire e cripto”.
Justiça acata recurso de credores e suspende venda de fatia da Oi na V.ta
- Por
Jovem Pan

A Justiça do Rio de Janeiro suspendeu a venda da participação da Oi na V.tal, maior empresa de infraestrutura digital e a primeira rede neutra de fibra óptica do mercado brasileiro, por R$ 4,5 bilhões. A suspensão, determinada em decisão monocrática na sexta-feira (26), foi comunicada no domingo (28), ao mercado pela Oi, em recuperação judicial.
A decisão segue os recursos interpostos por credores e investidores que questionaram a homologação da proposta vencedora de compra da V.tal, apresentada por BGC Fibra Participações e fundos e veículos de investimento ligados ao BTG Pactual.
Com isso, o processo fica temporariamente suspenso. Dona de infraestrutura de fibra óptica utilizada por operadoras e provedores de internet em todo o país, a V.tal é o principal ativo remanescente da Oi em sua reestruturação. Com a venda bilionária travada, aumenta a incerteza sobre a capacidade da Oi de avançar nas etapas centrais para sair da recuperação judicial.
A ação foi movida por um grupo de credores e investidores internacionais da Oi, liderado por três grandes fundos: UMB Bank, SC Lowy Primary Investments e fundos geridos pela gestora Pimco. Eles recorreram ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) por meio de agravos de instrumento para contestar a decisão da juíza da 7ª Vara Empresarial, que havia aceitado a proposta do BTG Pactual.
Os fundos argumentam que houve desrespeito ao plano de recuperação judicial, já que o edital exigia o valor mínimo de R$ 12,3 bilhões pelo ativo. O plano previa que, se a proposta ficasse abaixo disso (como os R$ 4,5 bilhões ofertados), ela deveria ser submetida e aprovada pelos credores.
Os fundos comprovaram que 92% dos credores com direito a voto haviam rejeitado formalmente a proposta do BTG por considerá-la prejudicial. Eles alegaram que a decisão de primeira instância ignorou ilegalmente essa soberania dos credores.
O Ministério Público estadual também se manifestou a favor do pedido dos credores, concordando que o valor oferecido era insuficiente e que a rejeição feita por eles não foi abusiva.
A decisão de sexta-feira pode ser revertida, pois se trata de uma liminar (decisão provisória e monocrática). O cenário jurídico agora entra em uma fase crítica, com desdobramentos imediatos no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ).
Oi e BTG podem usar, na defesa do negócio, argumentos a favor da “realidade concreta” do processo. O ativo foi ao mercado e o consórcio do BTG foi o único interessado.
Disputa se dá também nos EUA
Além de buscar impedir o negócio na Justiça brasileira, um grupo de detentores de títulos de dívidas da Oi também briga nos Estados Unidos para bloquear essa venda.
Os credores financeiros recorreram ao Tribunal de Falências de Nova York reivindicando que o plano de recuperação judicial da Oi seja cumprido na sua letra fria, de modo que a venda do ativo não seja consumada nesses termos. O grupo sustenta que consumar a venda e/ou distribuir os recursos violaria os contratos já estabelecidos.
A petição aponta também litígios no Brasil, incluindo ação da Oi tentando arrestar créditos e suspender direitos políticos de voto dos credores.
A ação nos EUA ocorre porque a Oi fez uma emissão de títulos de dívida no exterior no passado e porque o plano de recuperação judicial da operadora foi homologado também pela Justiça norte-americana.